23 de outubro de 2009

Go-Sees, Juergen Teller

Juergen Teller (Alemanha, 1964) é um dos mais influentes fotógrafos de moda e de celebridades dos últimos anos.

Trabalhou durante mais de um ano produzindo uma série de imagens em que fotografava jovens mulheres aspirantes a modelos de moda. A princípio parece não haver nada de peculiar em um fotógrafo de moda produzir imagens de modelos obviamente, porém o que difere suas imagens das convencionais no ramo é que, ele registrava imagens de moças que batiam à porta de seu estúdio em Londres se oferecendo para serem fotografadas por Teller, de modo a buscar uma (provável) promoção no mundo da moda, não portando na maioria das vezes de nenhum requinte ou porte para a profissão. Casos como esses aconteciam com muita frequência, o que despertou o interesse do fotógrafo em registrar tais ocasiões.


As fotos eram inclusive feitas logo à entrada de seu estúdio, às vezes na soleira da porta ou mesmo na calçada. Exatamente como chegaram à sua porta, Teller fazia questão de fotografá-las com a roupa do corpo sem qualquer produção de beleza, seja um retoque de maquiagem, uma mudança de figurino ou uma simples escovada nos cabelos. Sua intenção consistia basicamente na representação dessas jovens modelos sem qualquer tratamento artificial de beleza, a não ser o que elas já dotavam ao chegar até seu estúdio, sendo então representadas tal como elas são.


Portanto, suas fotos tem por objetivo evidenciar a estética que a maioria das moças (no caso, essas) se preocupariam em esconder. Juergen Teller torna evidente o mistério e o lado convenientemente oculto dessas modelos iniciantes, chamadas de Go-sees (o título da série), revelando um outro sentido do mundo das modelos que sem "as máscaras" mostram suas verdadeiras faces, bem como seus anseios, receios e inseguranças para com a "futura carreira".

Go-Sees, Juergen Teller


Go-Sees, Juergen Teller


Go-Sees, Juergen Teller


Go-Sees, Juergen Teller

Go-Sees, Juergen Teller


Quer saber um pouco mais?


BIBLIOGRAFIA:

SILVEIRA, Paulo . A fotografia e o livro de artista. In: Alexandre Santos; Maria Ivone dos Santos. (Org.). A fotografia nos processos artísticos contemporâneos. Porto Alegre, RS: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura e Editora da UFRGS, 2004, v. , p. 144-155.



JUERGEN TELLER. Go-Sees: Scalo, September, 1999
http://www.lehmannmaupin.com/#/artists/juergen-teller






Núbia Dias

3 comentários:

  1. mais uma intromissão...

    "A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a câmara para algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-las."
    (Ivan Lima)

    Interessante pensar, nesse contexto photoshop, corel draw e derivados, em uma fotografia "limpa" no sentido de realmente não mascarar, seja a modelo, seja a própria fotografia. E assim com certeza, permanece muito mais esse caráter testemunhal da foto, que lida e trata de pessoas desnudas dessa perfeição técnica e esteriotipada que muitas vezes fica apenas no lugar comum, e que busca também uma recepção comum e acrítica.
    Enfim, é curioso um trabalho que busque alguma reflexão, e não tão somente o olhar do feio e/ou bonito.

    bjsss

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  2. Creio que a arte não deva se submeter a nenhuma regra,com exceção é claro dos limites morais. Faz parte da arte mostrar o feio e a sua beleza feia, e também faz parte da arte exluir a imperfeições da realidade objetiva, usar o fotoshop,corel etc e produzir a beleza surreal. Pois a arte é um vôo livre. E é belo aspirar a beleza, qual o mal em se ter por escopo tal grandioso bem? projetar uma beleza que não existe é o crime mais belo que o homem poderia executar contra seu criador. Ass: Rebert

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  3. Simpática "desestetização estetizante".




    Beijos,









    Marcelo.

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